Sistema condominial de esgoto em Araçatuba: o modelo brasileiro que custa até 65% menos
Existe uma solução de esgotamento sanitário desenvolvida no Brasil na década de 1980 que atende bairros inteiros com rede menor, mais rasa e mais barata do que o modelo convencional. Chama-se sistema condominial, está descrita no Manual de Saneamento da Funasa e continua sendo usada em loteamentos e conjuntos habitacionais de Araçatuba e de toda a região noroeste paulista. Entender como ela funciona ajuda muito na hora de um entupimento, porque nesse modelo a divisão de responsabilidades é diferente da tradicional.
Por que ela existe
O sistema condominial se apoia na combinação de participação comunitária com tecnologia apropriada. O manual registra que ele proporciona economia de até 65% em relação ao sistema convencional de esgotamento, graças às menores extensão e profundidade da rede coletora e à concepção de microssistemas descentralizados de tratamento.
O nome vem da forma de organização: agrega-se o quarteirão urbano com participação comunitária, formando o condomínio, de modo semelhante ao que ocorre em um edifício de apartamentos. A diferença é que aqui o condomínio é informal quanto à organização e horizontal do ponto de vista físico.
A diferença de traçado
No sistema convencional, a rede pública circunda o quarteirão e cada lote se liga individualmente a ela. No sistema condominial, a rede coletora básica apenas tangencia o quarteirão-condomínio. As edificações se conectam a essa rede por meio de uma ligação coletiva no nível do condomínio, o chamado ramal condominial, cuja localização, manutenção e às vezes a execução são acordadas coletivamente entre os moradores e o prestador do serviço.
É essa mudança de traçado que gera a economia: menos metros de tubulação, menor profundidade de escavação e menos travessias.
Os três tipos de ramal condominial
O manual descreve três traçados possíveis, e cada um tem consequências práticas para a manutenção.
Ramal de passeio: passa fora do lote, na calçada em frente, a aproximadamente 0,70 metro de distância do muro. É o mais fácil de acessar para manutenção e o que menos depende de autorização dos moradores.
Ramal de fundo de lote: passa por dentro do lote, no fundo. É a alternativa de menor custo, porque permite esgotar todas as faces de um conjunto com o mesmo ramal. Em compensação, qualquer manutenção exige entrar nos terrenos.
Ramal de jardim: passa dentro do lote, porém na frente. Fica no meio termo entre custo e acessibilidade.
Além do ramal, o sistema tem a rede básica, que reúne os efluentes da última caixa de inspeção de cada condomínio passando pelo passeio ou pela rua, e a unidade de tratamento, já que a cada microssistema corresponde uma estação, que pode ser o tanque séptico com filtro anaeróbio.
Os parâmetros de projeto que importam na manutenção
O manual detalha exigências que explicam muitos problemas de campo.
A declividade mínima do ramal nunca deve ser menor que 0,5%. Deve-se evitar desvios do ramal. Cada lote tem uma caixa de inspeção, e no ramal de passeio devem existir caixas de inspeção intermediárias a cada 50 metros. A ligação da caixa de inspeção ao ramal de passeio é feita por meio de um tê. O lançamento do ramal condominial no poço de visita deve formar uma canaleta com seção mínima de 50% da tubulação. Sempre que possível, elimina-se a última caixa de inspeção dos ramais, ligando-os direto à rede básica.
Há também recomendações de posicionamento que evitam quebra: lançar as caixas de inspeção externas o mais próximo possível dos muros, para protegê-las do tráfego de veículos, e desviá-las das entradas de garagem, ou no mínimo da faixa de passagem dos pneus.
O levantamento topográfico é feito lote a lote, com mangueira de nível, definindo a profundidade da ligação predial de cada lote, um referencial de nível para cada inspeção, uma caixa de inspeção por lote e a cota do terreno de todas as caixas e tês.
Onde o sistema condominial costuma entupir
Justamente porque o ramal é coletivo e frequentemente passa dentro dos lotes, alguns problemas são típicos.
Obstrução no ramal coletivo afeta várias casas ao mesmo tempo. Se dois ou três vizinhos relatam escoamento lento simultaneamente, a suspeita recai sobre o ramal, não sobre as instalações internas.
Caixa de inspeção soterrada ou coberta. Em reformas, é comum aterrar ou revestir por cima da caixa. Depois, para acessar, é preciso localizar e abrir, o que encarece e atrasa o serviço.
Caixa quebrada por tráfego de veículos, exatamente o que a recomendação de posicionamento junto ao muro pretende evitar.
Declividade perdida por recalque do solo, criando pontos baixos onde o material se deposita. O manual insiste que o caimento deve ser constante entre duas caixas, para evitar pontos baixos onde possam se acumular detritos.
Gordura vinda das cozinhas. As águas servidas destinadas a tanques sépticos e a ramais condominiais devem passar por caixa de gordura, com o objetivo declarado de prevenir a colmatação dos sumidouros e a obstrução dos ramais. Uma única casa sem caixa de gordura pode comprometer o ramal de todo o conjunto.
A responsabilidade é compartilhada
Este é o ponto que gera mais dúvida. No modelo condominial, a localização, a manutenção e às vezes a execução do ramal são acordadas coletivamente no âmbito de cada condomínio e com o prestador do serviço, a partir de um esquema de divisão de responsabilidade entre a comunidade interessada e o poder público.
Na prática, isso significa que a manutenção do ramal costuma ser dos moradores, enquanto a rede básica é do prestador. Quando o entupimento está no ramal, esperar pela concessionária pode ser espera longa e improdutiva. O caminho é o conjunto contratar a desobstrução e, na sequência, combinar uma rotina preventiva.
Como fazer o diagnóstico antes de chamar
Verifique se o problema é de uma casa só ou de várias. Abra a caixa de inspeção do seu lote: se estiver vazia e o problema persistir dentro de casa, a obstrução é interna; se estiver cheia, a obstrução está a jusante, no ramal. Peça aos vizinhos para conferirem as caixas deles: a primeira caixa vazia no sentido do fluxo indica o trecho onde está o bloqueio.
Esse mapeamento simples reduz muito o tempo de serviço e, portanto, o custo.
Manutenção preventiva para o conjunto
Três rotinas resolvem quase tudo. Limpeza de caixa de gordura de cada casa, a cada três meses em uso residencial comum. Inspeção das caixas do ramal a cada seis meses, verificando nível e presença de depósito. E combinação entre os moradores sobre o que não entrar na rede: gordura sem caixa, estopa, panos, lenços umedecidos, areia e material de obra.
Atendimento em Araçatuba e região
Fazemos desobstrução de ramais, caixas de inspeção, caixa de gordura, colunas e tubulações internas, limpeza de fossa e hidrojateamento, além de localização do trecho obstruído em ramais coletivos. Atendemos Araçatuba, Birigui, Guararapes, Bilac e cidades vizinhas, com equipe própria, atendimento rápido e orçamento fechado antes de começar.
